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UM PAPO SOBRE BRANDING E O ESPORTE

Uma medalha tem prazo. Uma marca pode durar décadas.



O esporte é uma das expressões mais fascinantes da condição humana.

Ele nos ensina sobre disciplina, esforço, excelência, trabalho coletivo e superação. Mas também nos lembra de uma verdade inevitável: toda carreira esportiva tem um fim.


Mais cedo ou mais tarde, o último jogo acontece. A última corrida é disputada. A última luta é travada. O último pódio é alcançado. E então surge uma pergunta que todo atleta, em algum momento, precisa enfrentar:


O que permanece quando a competição termina?


Alguns serão lembrados pelos títulos que conquistaram, enquanto outros serão lembrados pelas transformações que provocaram. É justamente aí que nasce a diferença entre carreira esportiva e legado de marca.


Medalhas envelhecem, recordes são quebrados, rankings mudam.

Mas aquilo que uma pessoa representa pode atravessar gerações.


A história do esporte nos mostra isso de forma muito interessante.


Pelé abriu a porta.


Quando falamos de Pelé, poucas pessoas conseguem citar números exatos de sua carreira. Mas praticamente qualquer pessoa no planeta reconhece seu nome.

Pelé deixou de ser apenas um jogador de futebol.


Ele se tornou um símbolo de excelência, do Brasil e da possibilidade. Nascido em um contexto de extrema pobreza, tornou-se uma das figuras mais reconhecidas da história da humanidade. 


Sua trajetória não transformou apenas sua vida. Transformou a forma como o mundo enxergava o futebol brasileiro.


Pelé abriu uma porta que permitiu que milhões de pessoas passassem por ela depois. Sua marca ultrapassou o esporte. Tornou-se patrimônio cultural.


Michael Jordan mostrou o tamanho da casa.


Se Pelé abriu a porta, Michael Jordan mostrou até onde uma marca esportiva poderia chegar. Jordan não revolucionou apenas o basquete. Ele revolucionou a relação entre esporte, cultura, consumo e identidade. 


Sua influência ultrapassou as quadras. Entrou na moda, na música, no cinema, na publicidade, na cultura urbana. A marca Jordan se tornou um império cultural.


Hoje, pessoas usam seus produtos sem nunca terem assistido a uma partida sua.


Isso acontece porque Jordan deixou de representar apenas um atleta e passou a representar uma ideia. A ideia de excelência, de ambição, de performance e de grandeza.


Enquanto sua carreira criou fama, sua marca criou longevidade.


Serena Williams ampliou os cômodos.


Durante muito tempo, o tênis foi visto como um espaço reservado para poucos. Um ambiente elitizado, predominantemente branco e distante da realidade de milhões de pessoas.


Serena Williams mudou essa história. Ela não apenas venceu, ela dominou e fez isso enfrentando barreiras que iam muito além das quadras, como o racismo e o sexismo. Questionamentos constantes sobre seu corpo, sua postura e sua presença.


Serena transformou excelência esportiva em influência cultural. Mas também transformou influência em poder econômico: investiu em empresas, construiu negócios, financiou empreendedores e criou novas possibilidades para mulheres e pessoas negras.


Seu legado não está apenas nos troféus, está nos caminhos que ajudou a abrir.


LeBron James construiu novos andares.


LeBron talvez seja um dos maiores exemplos contemporâneos de construção estratégica de marca. Desde cedo, compreendeu que sua influência poderia ir além do esporte.


Ao longo da carreira, construiu um ecossistema: esporte + educação + entretenimento + empreendedorismo + impacto social.


A criação da escola I PROMISE mostrou que sua visão não estava limitada ao basquete. 


LeBron entendeu algo que muitos atletas só percebem quando a carreira está chegando ao fim: Uma marca forte não depende exclusivamente da modalidade que você pratica. Ela é construída a partir dos valores que você representa.


Sua trajetória nos ensina que a aposentadoria não precisa ser o encerramento de uma história. Pode ser o início de um novo capítulo.


Marta garantiu que mais pessoas pudessem entrar.


Marta não é apenas a maior jogadora da história do futebol feminino. Ela se tornou uma causa.


Durante décadas, ela carregou nas costas não apenas a expectativa de vencer, mas também a responsabilidade de representar: meninas, mulheres e pessoas que cresceram ouvindo que determinados espaços não eram para elas.


E esse impacto vai muito além dos gols. Marta ajudou a transformar a forma como o futebol feminino é percebido. E por isso, hoje, milhares de jovens atletas conseguem imaginar futuros diferentes porque viram Marta existir.


Ela não apenas ocupou um espaço, ela ajudou a ampliá-lo. O que fez seu nome se tornar sinônimo de possibilidade e talvez essa seja uma das formas mais bonitas de legado.


O que todas essas histórias têm em comum?


Modalidades diferentes, contextos diferentes, épocas diferentes, mas uma mesma lógica: todos compreenderam que o esporte era apenas o ponto de partida.


O verdadeiro legado seria construído naquilo que representavam para as pessoas.


Nenhum deles é lembrado apenas pelas estatísticas, são lembrados pelas ideias que passaram a simbolizar: excelência, coragem, representatividade, transformação e possibilidade. É isso que faz uma marca permanecer.


No fim das contas, branding não é sobre fama, nem sobre seguidores, ou sobre autopromoção. Branding é sobre significado e a capacidade de transformar uma trajetória individual em algo que continue inspirando outras pessoas.


Porque uma carreira esportiva pode durar alguns anos, mas uma marca bem construída pode atravessar décadas. E talvez a pergunta mais importante para qualquer atleta não seja: "Quantas medalhas eu quero conquistar?"


Mas sim: "O que eu quero que permaneça quando minha carreira terminar?"



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Jefferson Paixão


Metade estrategista, metade creator e 100% apaixonado pela creator economy. Formado em Marketing, com pós-graduacão em Creator Economy pela ESPM e pós-graduacão em Carreira e Sentido da Vida pela PUC PR+ Campinas. Atua com consultoria em planejamento e estratégia para marcas e creators. Empreendedor na Demidias, startup focada em personal branding + toughtleadership + aceleração de carreiras de lideranças em recortes sociais. Nos bastidores, conecta marcas, creators e cultura. Na frente das câmeras, usa tecnologia e comunicação para impacto social, abordando a temática de lifestyle business, criando conteúdo na internet desde 2012.


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