O evento é delas, mas será que para elas?
- Mariana Virgílio

- há 6 dias
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Por Mariana Virgílio

A FIFA organizou um evento de um hotel em Copacabana, no Rio de Janeiro, neste domingo dia 25/01, para apresentar o logo e toda a identidade visual da Copa do Mundo feminina de 2027. O momento contou com a presença do presidente da Fifa, Gianni Infantino, do presidente da CBF, Samir Xaud, dos técnicos das seleções brasileiras feminina e masculina, além de ídolos do futebol nacional, como Cristiane, Formiga, Cafu, Bebeto, Ronaldo Fenômeno e Jairzinho.
Mas o que chamou a atenção é, como se pode ver na foto abaixo, a falta do protagonismo feminino, que eu nem diria dividido, mas apagado em meio às homenagens aos campeões do futebol masculino e referências à Copa do Mundo masculina de 2026.

Photo by Wagner Meier - FIFA / FIFA via Getty Image
É claro que esses ídolos do futebol (muitos deles me fazem lembrar meu pai e as histórias que ele me contava, torcedor assíduo e apaixonado) merecem homenagens. Mas, será que com tantos dias e eventos sobre o futebol masculino, precisaria ser em um dos poucos que o futebol feminino é (ou deveria ser) destaque?
Essa imagem não passou batido por quem acompanhou a cerimônia e acompanha futebol. Nas redes sociais, foram inúmeros os comentários criticando e manifestando a falta de ver as jogadoras pioneiras e consagradas presentes. Em tempo, um depoimento de Formiga, disponibilizado no Instagram das Dribladoras, ressalta:
“Ali tem atletas que foram minha referência, porque quando comecei não tinham meninas, total respeito, mas estamos falando de Copa do Mundo Feminina, o foco seria Copa do Mundo Feminina. Não estou dizendo que foi errado homenagear eles, quando estão vivos tem que fazer mesmo, mas ali tinha meninas que fizeram muito pelo futebol feminino, mundialmente falando, não só no Brasil. E que merecem todo reconhecimento. Eu pretendo, com toda sinceridade, conversar com a Jill, para que a gente possa em um outro momento ter esse encontro, e trazer essas pioneiras, para que elas possam ser homenageadas (...)”
Com tudo isso eu me lembrei da minha infância, quando abriram horários para futebol feminino na cidade. Era pra ser um motivo de alegria, para se comemorar que enfim estavam nos enxergando como alguém que poderia jogar e não somente assistir futebol.
Ao entrar no vestuário, nos deparamos com as mesmas roupas que a masculina, uniformes gigantes e chuteira que saiam dos nossos pé a cada chute. A gente se debatia por duas míseras chuteiras número 36 que tinha por lá.
E aí eu me pergunto, é possível existir algo feito para nós mulheres sem nos incluir?
Porque tudo que é para o masculino é tido como padrão e a nós, resta a adaptação?
Porque não podemos receber algo pensado por nós e feito para nós?
“Deslizes” como esses são comuns e diários e não vai mudar até que repensem a forma de fazer futebol e não olhem o feminino como uma adaptação do masculino e sim um segmento que existe e existiria independente de homens jogando ou não.
Apesar de tudo e “com tudo”, estamos na contagem regressiva para a Copa de 2027 (começa exatamente dia 24 de junho de 2027 até 25 de julho).
Já que eles decidem tirar nos tirar tantas coisas, não vamos permitir que nos tirem também a alegria que ver nossas “meninas do Brasil” jogando e aqui em nosso país. Não importa o que façam, estamos com vocês meninas mas, se todos eles estiverem também, a gente agradece!



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