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BBB 26: Edilson Capetinha afirma ter perdido quase tudo. Porque essa história se repete?

Atualizado: há 7 dias

Por Mia Lopes


Sim, Edílson Capetinha está na casa mais vigiada do Brasil.


E, convenhamos, não muito diferente da trajetória que ele sempre construiu, a presença dele no BBB 26 promete entregar entretenimento e polêmicas. E porque ele decidiu entrar no BBB?



Em uma conversa dentro da casa, o próprio Edílson foi direto ao ponto: “Estou aqui por causa do dinheiro.” Simples assim. Uma frase curta, crua, desconfortável, e profundamente reveladora.


E, como baiana, mulher negra atuante no esporte, essa afirmação me atravessa de muitas formas.


Eu sempre quis ir a um show na Ed10. Não sabe do que estou falando? Ed10 era uma casa de show em Salvador onde os grandes shows de Salvador aconteciam na Ed10. A casa de shows do Edílson Capetinha foi um polo cultural. Um espaço que ajudou a impulsionar o pagodão baiano, que empresariou bandas, articulou negócios, gerou empregos, movimentou a economia criativa. Estamos falando de um atleta que extrapolou o campo, que se colocou como empresário, produtor, articulador cultural..


E mesmo assim, aqui estamos: um campeão do mundo, ex-empresário, figura central da cultura esportiva e musical dos anos 2000, hoje dentro de um reality show afirmando que perdeu 90% de tudo que ganhou


Isso não é sobre o Edílson apenas.


Isso é sobre o sistema.


Existe um dado que deveria constranger o esporte brasileiro: mais de 80% dos jogadores de futebol no país ganham até R$ 1 mil por mês, segundo levantamento divulgado pela CBF. Edílson verbalizou na casa algo que muita gente prefere fingir que não vê: a realidade de Neymar e Vini Jr. não representa a esmagadora maioria dos atletas profissionais.

Mas existe um ponto que conecta quem ta em campo, dos super milionários aos que mal sobrevivem do esporte: ninguém recebe educação financeira junto com o contrato.


O dinheiro entra, mas o repertório não acompanha.


O status chega, mas a formação não vem junto.


E dinheiro, como sabemos, não leva desaforo pra casa, nem falta de preparo.


Não importa quanto se ganha. Se não houver educação financeira, inteligência emocional, visão de longo prazo e estrutura de proteção patrimonial, o dinheiro escorre pelos dedos.


Corre como água e some rapidinho.


A presença de Edílson no BBB também escancara outro debate inevitável: o da masculinidade que foi normalizada no futebol dos anos 2000. A geração banheira do Gugu.


O  ex-jogador já acumula críticas por falas e comportamentos machista e transfóbicos e não será diferente na casa ao vivo 24h.


Edílson Capetinha é, talvez, o retrato mais honesto de uma geração de jogadores que foi ensinada a vencer, mas não a se atualizar. Que foi celebrada, mas não educada. Que ganhou muito aplauso e pouco suporte para lidar com o pós-carreira, com as transformações sociais, com o novo mundo.


O que veremos no BBB 26 provavelmente será uma mistura de um homem carismático, engraçado, resenha pura, um personagem controverso  e, ao mesmo tempo, o reflexo de uma masculinidade que já não encontra mais espaço sem ser questionada.


E isso diz mais sobre a estrutura que nos formou do que apenas sobre ele.


Vale reforça que participar de um programa de entretenimento não é um problema. Inclusive pode ser um ‘up’ na carreira. O problema é quando isso deixa de ser escolha e passa a ser sobrevivência. Quando o movimento não nasce do desejo de reposicionamento, mas da urgência. Quando a corda já está no pescoço.


O BBB, nesse contexto, vira um espelho cruel: expõe fragilidades financeiras, emocionais, culturais e simbólicas. Amplifica tudo de todo mundo


Por isso, a reflexão que fica não é sobre o Edílson apenas, é sobre os atletas que hoje estão no auge de suas carreiras. Fica a pergunta: você está apenas ganhando dinheiro ou está aprendendo a falar a língua do dinheiro?


Você está construindo patrimônio ou só renda?


Você está se preparando para o mundo que existe depois do aplauso?


Inovar não é só investir em negócios e sucesso não é só performance esportiva.


Chegar na casa dos 50 anos com estabilidade financeira, mente aberta, consciência social e capacidade de se reinventar deveria ser parte do projeto de carreira de qualquer atleta negro, homem ou mulher. E vai por mim, é como aprender a andar, levanta e cai e tá tudo bem! Mas tem que dar o primeiro passo.


Que o BBB 26 nos divirta, sim, mas que ele também nos ensine.


Por enquanto, sigo de olho…


 
 
 
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