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Surf de Alma e Tábua

#PretosNaOnda: A Resiliência e Maestria de Surfistas Pretos em Domar as Ondas de São Tomé e Príncipe com Tábuas de Madeira



Inquestionavelmente, o universo do surf é percebido como uma atividade elitizada e predominantemente associada à comunidade branca. Nesse contexto, é notável que estrutura social omite, ou subestima, a narrativa original sobre esse esporte, aquela que, conhecidamente, encontra uma de suas raízes entrelaçadas com a cultura e as tradições dos povos indígenas do Havaí.


Pouco se sabe sobre a relação histórica entre o surf e o povo preto, no continente Africano. O apagamento histórico é uma realidade que tem raízes profundas em diversos aspectos da história global. Esse apagamento se refere à marginalização, desvalorização e, em muitos casos, à eliminação deliberada da contribuição, cultura e história dos povos pretos em várias partes do mundo. Esse fenômeno tem sido uma forma de perpetuar a supremacia branca, o racismo estrutural e a desigualdade.


Criança Negra no Mar Com Prancha de Madeira em São Tomé e Príncipe. Foto: Ana Catarina (Instagram: @anacatarinaphoto)
Criança Negra no Mar Com Prancha de Madeira em São Tomé e Príncipe. Foto: Ana Catarina (Instagram: @anacatarinaphoto)

Apesar de todas as provações e desafios, uma certeza ressoa profundamente: o surf pulsa em nossas veias. Em meio às cicatrizes da vida e à coragem de enfrentar adversidades, o povo preto se ergue, inabalável. Um exemplo brilhante ganha vida em São Tomé e Príncipe, o arquipélago situado na costa oeste da África. Essa terra é uma poesia tropical, com suas praias exuberantes e cenários de tirar o fôlego, uma aquarela irresistível para os amantes das ondas, contudo, a beleza transcende as paisagens.

Criança Negra no Mar Com Prancha de Madeira em São Tomé e Príncipe. Foto: Ana Catarina (Instagram: @anacatarinaphoto)
Criança Negra no Mar Com Prancha de Madeira em São Tomé e Príncipe. Foto: Ana Catarina (Instagram: @anacatarinaphoto)

Caminhe um pouco além e você encontrará crianças com sorrisos iluminados, dançando nas cristas das ondas de São Tomé. A alegria é contagiosa, uma dança sincera entre os sonhos e o mar, uma prova irrefutável de que, não importa as circunstâncias, a alma do surf é uma chama que nunca se apaga. Olhando atentamente é possível perceber que as crianças não contam com uma estrutura para o esporte, não possuem ao menos uma prancha, lash ou roupa adequada, o surf se dá na coragem, alegria de viver e em tábuas de madeira.


Criança Negra no Mar Com Prancha de Madeira em São Tomé e Príncipe. Foto: Ana Catarina (Instagram: @anacatarinaphoto)
Criança Negra no Mar Com Prancha de Madeira em São Tomé e Príncipe. Foto: Ana Catarina (Instagram: @anacatarinaphoto)

As crianças, destemidas, escrevem suas histórias nas ondas, mesmo que suas jornadas não se ancorem em estruturas luxuosas, nem pranchas esculpidas por habilidosos shapers, em vez disso, o mar as acolhe em tábuas de madeira, singelas e cheias de alma. Suas risadas ressoam como uma sinfonia de coragem e vivacidade.





Seria assim que nossos antepassados domavam as mesmas ondas, há muito tempo? Bom, ainda não sei à resposta, mas encontrei o livro "AfroSurf", escrito por Mami Wata, que emerge como um farol, iluminando a história preta que fluiu nas águas, após o término da leitura com certeza abordarei o tema AfroSurf.


Crianças Negras no Mar Com Prancha de Madeira em São Tomé e Príncipe. Foto: Ana Catarina (Instagram: @anacatarinaphoto)
Crianças Negras no Mar Com Prancha de Madeira em São Tomé e Príncipe. Foto: Ana Catarina (Instagram: @anacatarinaphoto)

É nítido o talento do surf de Alma e Tábua dessas crianças, que desafiam as ondas. Isso nos traz uma reflexão necessária: qual seria o alcance dos talentos pretos em um mundo sem racismo? Este texto não se limita a exaltar a magnificência da comunidade preta; ele vai além, convocando a todos os leitores a se voltarem, a essa pauta, e pensarem soluções que podem ser realizadas em seu microcosmo que cada vez mais mudarão a realidade dos que estão ao nosso redor e, quem sabe, aqueles que estão distantes também.


Criança Negra no Mar Exibindo sua Prancha de Madeira em São Tomé e Príncipe. Foto: Ana Catarina (Instagram: @anacatarinaphoto)
Criança Negra no Mar Exibindo sua Prancha de Madeira em São Tomé e Príncipe. Foto: Ana Catarina (Instagram: @anacatarinaphoto)

*Este é um conteúdo da Afro Esporte, porém o texto acima não reflete necessariamente a opinião da Afro Esporte.

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9 Comments

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Guest
Aug 24, 2023
Rated 5 out of 5 stars.

As palavras da escritora me envolveram de tal forma que pude sentir a energia do mar e a determinação das crianças. Sua narrativa hábil e apaixonada me fez refletir sobre as histórias esquecidas e um mundo sem racismo. Parabéns 👏🏻

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Guest
Aug 17, 2023
Rated 5 out of 5 stars.

Excelente narrativa, deu vontade de ser uma criança negra com uma prancha de madeira em São Tomé e Príncipe.

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Guest
Aug 17, 2023
Rated 5 out of 5 stars.

Excelente reflexão 👏🏾

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Guest
Aug 17, 2023
Rated 5 out of 5 stars.

👏👏👏

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Guest
Aug 16, 2023
Rated 5 out of 5 stars.

parabéns 👏🏼👏🏼👏🏼

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